A Festa de Pentecostes é a festa das festas do ponto de
vista pneumatológico para toda a Igreja. A palavra PNEUMA vem do grego e
significa vento, ar, sopro. O Espírito dá a vida, dizia São Paulo. Ele é a vida
da Igreja. No dia da festa da colheita judaica o Espírito do Senhor veio sobre
os Apóstolos, a Virgem Maria e todos os outros com poder em forma de línguas de
fogo (cf. At 2).
Para mim particularmente sempre foi o momento da renovação
da chama do dom de Deus em minha vida. No período em que passei no movimento
carismático sempre aguardei com ansiedade pelo dia de Pentecostes. A
espiritualidade de Pentecostes refloreceu com força na Igreja de Cristo após o
grande Concílio Vaticano II, como forma de retorno 'às raízes', à fonte
apostólica da qual a Igreja jamais se afastou, porém a necessidade desse
retorno se fez sempre presente em sua história.
Na Igreja Ortodoxa (Oriental) a figura e ação do Espírito
Santo é bem mais difundida e propagada, a ponto do Patriarca Atenágoras
(1948-1972) assim se expressar:
“Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo
permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização,
a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação
moral uma ação de escravos. O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua
Igreja e garante a ela a vida e a eficácia da missão".
No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder
sobre os Apóstolos; teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio
Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes
depois da sua ressurreição (cf. Act 1, 3). Antes da ascensão ao Céu, ordenou
que "não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem que se cumprisse
a promessa do Pai" (cf. Act 1, 4-5); isto é, pediu que permanecessem
juntos para se prepararem para receber o dom do Espírito Santo. E eles
reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido
(cf. Act 1,14).
Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para
receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma oração
prolongada. Desta forma, encontramos delineada uma formidável lição para cada
comunidade cristã. Por vezes pensa-se que a eficiência missionária dependa
principalmente de uma programação atenta e da sucessiva inteligente realização mediante
um empenho concreto.
Sem dúvida, o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de
qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o
verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão
no silêncio sábio e providente de Deus.
As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do
Espírito Santo o vento e o fogo recordam o Sinai, onde Deus se tinha revelado
ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Êx 19, 3ss). A festa
do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa do
Pacto. Falando de línguas de fogo (cf. Act 2, 3), São Lucas quer representar o
Pentecostes como um novo Sinai, como a festa do novo Pacto, na qual a Aliança
com Israel se alarga a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e
missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é
significativamente evidenciada pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem
todos os que ouvem o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. Act 2, 9-11).
O Povo de Deus, que tinha encontrado no Sinai a sua primeira
configuração, hoje é ampliado a ponto de não conhecer qualquer fronteira de
raça, cultura, espaço ou tempo. Diferentemente do que tinha acontecido com a
torre de Babel (cf. Jo 11, 1-9), quando os homens, intencionados a construir
com as suas mãos um caminho para o céu, tinham acabado por destruir a sua
própria capacidade de se compreenderem reciprocamente. No Pentecostes o
Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão
em comunhão. O orgulho e o egoísmo do homem geram sempre divisões, erguem muros
de indiferença, de ódio e de violência.
O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de
compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação
autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor.
Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como
compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo
onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os
Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos
preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala
de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas
no momento os Apóstolos não são capazes de carrregar o seu peso (cf. Jo 16,
12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas
voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos.
Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito
que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d'Ele que se
ofereceu, amor do Pai que o concedeu.
É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o
espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o
caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser "expressão e
instrumento do amor que d'Ele promana" (Deus caritas est 33).
Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza:
"Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus
fiéis e acende neles o fogo do teu amor!".
Há um certo tempo atrás, duas notícias
tornaram-se alarmantes ao trazerem à tona a realidade existencial de
milhões de adolescentes e jovens. Uma jovem se suicida no Piauí quando
tem um vídeo privado divulgado e difundido entre celulares; o outro fato
é o suicídio de uma jovem mexicana. O que há em comum é que ambas
jovens anunciaram suas mortes em redes sociais, onde receberam centenas
de curtidas e comentários.
A pergunta é: por que tal ação? O que leva jovens ao suicídio?
Segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), o suicídio juvenil é a terceira causa de morte entre pessoas de
15 a 44 anos e o suicídio anunciado por meio das redes sociais tem
crescido em muitos países.
Hoje o dia-a-dia das pessoas exige uma
velocidade muito maior do que há anos atrás. Os relacionamentos
presenciais foram sendo substituídos pelos virtuais, desencadeando um
afastamento do mundo real. A era da informação e da tecnologia está
lançada! O íntimo, que não era para
ser exposto, mas sim preservado, pois é uma instância de segredo, de
ser “dono de si mesmo”, está sendo substituído por uma compulsão pela
exposição de si nas revistas e nas redes sociais. Na maioria das vezes
essa hiperexposição é o sintoma da angústia do vazio.
É indiscutível o papel desempenhado
pelas redes sociais no âmbito da vida privada, social, política,
comunicacional e profissional. Elas favorecem a interação entre as
pessoas. Dão visibilidade, facilitam a comunicação, o reencontro,
eliminam as extensões territoriais; além de ter um poder ainda
incalculável de convocação e mobilização. As mudanças provocadas pelas
redes sociais não são para o futuro, pois elas são presente e intervêm
significativamente no comportamento das pessoas. A inclusão e a
participação nas redes sociais dá a sensação de ter muitos amigos, de
estar antenado e conectado aos acontecimentos com uma participação
efetiva e eficiente. Tudo isso é uma verdade em termos, pois
essas conexões e realidades são raseiras e instáveis, os relacionamentos
superficiais e temporários e os vínculos momentâneos.
Na “vida” das redes sociais a busca de
novidades é o interesse geral. Os comentários que importam são os seus,
enquanto que os dos outros servem para que se possa expressar a opinião
individual. A imagem que os outros têm é essencial e a aceitação também.
Daí a exposição com fotos, informações de viagens, atividades, emoções e
sentimentos. É a sensação de ser querido e bem aceito pelas curtidas e
comentários na foto escolhida a dedo dentre as infinidades de álbuns. Há
uma disputa de quem aparenta levar uma vida mais bacana, mais
interessante e mais feliz. Quando se posta uma foto, a pessoa revela um fragmento daquilo que se deseja que os outros definam e aceitem.
Cada um busca ser mais brilhante, interessante e atraente do que o outro. Nesta
empreitada muitos são os seguidores e “amigos”, mas os usuários mais
sensatos sabem que são poucos aqueles com os quais se podem contar. O
resultado de tudo isso é frustração, solidão e incapacidade de lidar com
seus próprios sentimentos.
O nível de suicídio entre os jovens
revela que não se está preparado para lidar com as frustrações em meio
ao narcisismo da cultura e da mentalidade de que somos sempre o centro
do universo e da realidade. A pobreza da vida interior presente
no coração das pessoas não encontrará a solução por meio da tecnologia e
da posse de bens materiais.
A solidão no século 21 bate à porta de
inúmeras pessoas cercadas de “amigos” virtuais. Ao mesmo tempo que os
comentários em um post estimulam, são eles também capazes de levar a
pessoa à frustração e à necessidade de exposição sem limites, a fim de
encontrar nos milhares de usuários virtuais a aceitação que nem a
própria pessoa tem dela. Gera-se a angústia, a ansiedade, as
frustrações, invejas, raivas, alegrias e curiosidades pelos feedbacks.
Neste emaranhado de relações nas redes
sociais deve-se ir além das superficialidades que elas podem oferecer.
As relações virtuais e superficiais não podem ser capazes de substituir
as reais. O imediatismo do contato pela rede não ultrapassa a grandeza
de cada dia reconhecer no outro suas riquezas, tesouros e dons, de forma
pessoal. O verdadeiro tesouro dos relacionamentos não está na
quantidade, mas o quanto fundo se vai, lançando mutuamente na relação o
seu eu na verdadeira recíproca do descobrir e desvelar no rosto do outro
um amigo e uma amiga.
Muito obrigado pela vossa acolhida. Certamente alguém falou para os organizadores que eu realmente gosto dessa música, "Vive o Senhor Jesus”... Quando eu celebrava na catedral de Buenos Aires a Missa com a Renovação Carismática, após a consagração e depois de alguns segundos de adoração em línguas, cantávamos esta canção com tanta alegria e com tanta força, como vocês fizeram hoje. Obrigado! Senti-me em casa!
Agradeço a Renovação no Espírito, o ICCRS e a Fraternidade Católica por este encontro com vocês, que me dá tanta alegria. Agradeço também a presença dos primeiros que tiveram uma forte experiência do poder do Espírito Santo; Creio que a Patty esteja aqui... Vocês, Renovação Carismática, receberam um grande dom do Senhor. Vocês nasceram de um desejo do Espírito Santo como "uma corrente de graça na Igreja e para a Igreja”. Esta é a sua definição: a corrente de graça.
O primeiro dom do Espírito Santo, o que é? O dom de si mesmo, que é amor e faz você se apaixonar por Jesus, é este amor de mudança de vida. Por esta razão, diz-se "nascer de novo para a vida no Espírito", como Jesus disse a Nicodemos. Vocês já receberam o grande dom da diversidade dos carismas, a diversidade que leva à harmonia do Espírito Santo, ao serviço da Igreja.
Quando eu penso em vocês, carismáticos, vem a mim a mesma imagem da Igreja, mas de uma maneira especial: como uma grande orquestra, onde cada instrumento é diferente e até mesmo as vozes são diferentes, mas todos são necessários para a harmonia da música, como São Paulo nos diz no capítulo 12 da Primeira Carta aos Coríntios. Assim, como em uma orquestra, ninguém na Renovação pode pensar em ser mais importante ou maior que o outro, por favor! Porque quando alguém pensa que é mais importante do que o outro ou maior que o outro, começou a praga! Ninguém pode dizer: "Eu sou o chefe”. Vocês, como toda a Igreja, vocês têm apenas uma cabeça, um só Senhor: o Senhor Jesus. Repita comigo: quem é a cabeça da Renovação? O Senhor Jesus! Quem é o chefe da Renovação? [A multidão] o Senhor Jesus! E podemos dizer isso com o poder que nos dá o Espírito Santo, porque ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor", sem o Espírito Santo.
Como vocês devem saber – porque saiu nas notícias - nos primeiros anos da Renovação Carismática, em Buenos Aires, eu não gostava muito dos carismáticos. E eu disse-lhes: “Eles se parecem com uma escola de samba”. Eu não partilhava da sua maneira de rezar e tantas coisas novas que estavam acontecendo na Igreja. Depois disso, eu comecei a conhecê-los e eu finalmente entendi bem que a Renovação Carismática é a Igreja. E essa história, que vai desde “escola de samba” adiante, termina de uma forma especial: alguns meses antes de participar no Conclave, fui nomeado assessor espiritual da Conferência Episcopal da Renovação Carismática na Argentina.
A Renovação Carismática é uma grande força a serviço do Evangelho, na alegria do Espírito Santo. Vocês receberam o Espírito Santo que vos constituiu descobrir o amor de Deus por todos os seus filhos e o amor pela Palavra. Nos primeiros tempos, contam que vocês carismáticos portavam sempre a Bíblia, o Novo Testamento... Vocês podem fazer isso de novo hoje? [A multidão] Sim! Eu não tenho tanta certeza! Se não voltar a este primeiro amor, levando sempre em seu bolso, bolsa, a Palavra de Deus! E ler um pouco... Sempre com a Palavra de Deus!
Você, o povo de Deus, o povo da Renovação Carismática, tenham cuidado para não perder a liberdade que o Espírito Santo nos deu! O perigo para a Renovação, como se costuma dizer, o nosso querido Pe. Raniero Cantalamessa, é a organização excessiva: o perigo de organização excessiva. Sim, vocês precisam de organização, mas não percam a graça de deixar Deus ser Deus! "No entanto, não há maior liberdade do que deixar-se liderar pelo Espírito, renunciando calcular e controlar tudo, e permitir que Ele nos ilumine, guie-nos; guiar-nos, mover-nos aonde Ele quer. Ele sabe o que é necessário em todas as épocas e em todos os momentos. Isso é chamado a ser misteriosamente fecundo" (ibid., n. Gaudium Evangelii, 280).
Outro perigo é tornarem-se "controladores" da graça de Deus. Muitas vezes, os coordenadores (eu gosto mais da denominação "servos") de algum grupo ou algumas comunidades tornam-se, talvez inconscientemente, os administradores da graça, decidindo quem pode receber o derramamento de oração ou batismo no Espírito, e aqueles que não podem. Se alguns fazem isso, por favor, não façam mais, não façam mais isso! Vocês são dispensadores da graça de Deus e não controladores! Não sejam alfândega ao Espírito Santo!
No documento de Malines, vocês têm um guia, um percurso seguro para a estrada certa. O primeiro documento é o seguinte: Orientação teológica e pastoral. O segundo é: Renovação Carismática e Ecumenismo, escrito pelo Cardeal Suenens, o grande protagonista do Concílio Vaticano II. O terceiro é: Renovação Carismática e serviço ao homem, escrito pelo Cardeal Suenens e Bispo Dom Helder Câmara. Este é vosso percurso: a evangelização, o ecumenismo espiritual, cuidado com os pobres e necessitados e o acolhimento dos marginalizados. E tudo isso com base na adoração! O fundamento da Renovação é adorar a Deus!
Eles me pediram para dizer à Renovação o que o Papa espera de vocês. A primeira coisa é a conversão ao amor de Jesus que transforma vidas e faz do cristão uma testemunha do amor de Deus. A Igreja espera que este testemunho de vida cristã e do Espírito Santo nos ajude a viver a coerência do Evangelho para nossa santidade. Espero que vocês compartilhem com todos na Igreja a graça do Batismo no Espírito Santo (uma expressão que pode ser lids nos Atos dos Apóstolos).
Espero de vocês uma evangelização com a Palavra de Deus que anuncia que Jesus está vivo e ama todas as pessoas. Que vocês deem um testemunho de ecumenismo espiritual com todos os irmãos e irmãs de outras Igrejas e comunidades cristãs que creem em Jesus como Senhor e Salvador. Que vocês permaneçam unidos no amor que o Senhor Jesus pede a todos os homens e na oração do Espírito Santo para chegar a esta unidade, que é necessária para a evangelização, em nome de Jesus. Lembre-se de que a “Renovação Carismática é por sua própria natureza ecumênica... A Renovação Católica se alegra por aquilo que o Espírito Santo realiza em outras Igrejas” (1 Malines 5,3).
Aproximem-se dos pobres, dos necessitados, para tocar em sua carne, a carne ferida de Jesus. Aproximem-se, por favor! Procurem a unidade da Renovação, porque a unidade vem do Espírito Santo e nasceu da Trindade. A divisão, de quem vem? Do demônio! A divisão vem do demônio. Fujam da luta interna, por favor! Entre vocês não exista isso!
Quero agradecer ao ICCRS e à Fraternidade Católica, os dois corpos de direito pontifício do Conselho Pontifício para os Leigos para servir a Renovação mundial, ocupado a preparar o encontro mundial de padres e bispos, a ser realizado em junho do próximo ano. Eu sei que eles também decidiram compartilhar o escritório e trabalhar em conjunto, como um sinal de unidade e gerir melhor os seus recursos. Estou muito satisfeito. Eu também quero agradecer-lhes, porque eles já estão organizando o Grande Jubileu de 2017.
Irmãos e irmãs, lembrem-se: adorar a Deus, o Senhor: este é o fundamento! Procurem santidade adorando a Deus na nova vida do Espírito Santo. Sejam dispensadores da graça de Deus, evitando o perigo de organização excessiva.
Saiam às ruas para evangelizar, anunciando o Evangelho. Lembrem-se de que a Igreja nasceu em "saída" naquela manhã de Pentecostes. Aproximem-se dos pobres e toquem em sua carne, na carne ferida de Jesus. Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo, com essa liberdade; e, por favor, não enjaulem o Espírito Santo! Dê liberdade! Procurem a unidade da Renovação, a unidade que vem da Trindade! E espero todos vocês, carismáticos do mundo, para celebrar, juntamente com o Papa, vosso grande Jubileu no dia de Pentecostes, em 2017, na Praça de São Pedro! Obrigado!
Os membros da presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) encerraram a sua tradicional visita anual à Santa Sé, cuja finalidade é encontrar-se com o papa e tratar de assuntos relacionados com a vida e missão da Igreja na América Latina. Nesta terça-feira, 27, eles ofereceram uma entrevista coletiva na sede da Pontifícia Comissão para a América Latina, abordando uma série de temas.
ZENIT perguntou sobre a teologia da libertação: o que pensam hoje, a este respeito, os sacerdotes e seminaristas, considerando que os expoentes da teologia da libertação são já idosos?
O presidente do CELAM, dom Carlos Aguiar Retes, respondeu: “De fato, as figuras relevantes da teologia da libertação são pessoas idosas, e a expressão do que ela já foi está muito velha, se não é que já está morta”.
“Hoje em dia não temos mais essa questão da teologia da libertação, que tinha sido colocada com uma base sociológica que não se encaixava na base teológica. Esse foi o motivo da quebra”.
No entanto, Retes reconheceu que “houve esforços dos teólogos da libertação que tentaram de alguma forma iluminar a teologia. Foi nos anos 1970, 1980, talvez no começo dos anos 1990”.
“Hoje, graças a Deus, temos uma reflexão teológica muito mais sapiencial, que não deixa de lado a necessária libertação do homem integral. Não é mais por meio luta de classes, com a confrontação entre ricos e pobres, porque, como sabemos, para a Igreja, esse não é o caminho para uma libertação social”.
Citando o bispo auxiliar de Valparaíso, dom Santiago Silva, também presente na conferência, Retes declarou: “A questão é mostrar o rosto misericordioso de Deus Pai, a ternura de Deus entre nós, que faça crescer a condição humana, a humanidade da pessoa; que faça crescer a família como o núcleo onde se educa e se faz a pessoa crescer; e ter muito cuidado para preparar as novas gerações, para que, no futuro, elas possam ter essa consciência, sendo líderes em todos os campos, social, econômico e político”.
O presidente do CELAM no período 2011-2015 precisou ainda que a tarefa “é de médio prazo e o Papa Francisco a descreveu perfeitamente na exortação apostólica Evangelii Gaudium. É uma atitude crítica, de discernimento e de ação pastoral, da dimensão social da fé”.
A fé tem como consequência, se for autêntica, um desenvolvimento positivo da humanidade, concluiu o presidente do CELAM.
Na foto: O Papa se ajoelha para receber a oração dos membros da RCC
Este domingo da Ascensão do Senhor foi histórico para a Renovação Carismática Católica. Foi o dia em que o Papa Francisco escolheu para estar com um grupo de 50 mil membros do movimento reunidos no Stadio Olimpico de Roma para a convocação anual.
Cantos, oração espontânea e em línguas, alegria e muito fervor marcaram o momento com o sumo pontífice. “Retornem ao primeiro amor”, conclamou Francisco, muitas vezes aplaudido durante sua colocação.
O Papa ainda advertiu a RCC para duas coisas, que evitassem a excessiva organização estrutural e nunca se considerassem controladores da graça, fossem apenas dispensadores deste dom. “O fundamento da RCC é a adoração a Deus”, concluiu.
Outros conselhos foram dados pelo Papa ao movimento que em 2017 completará 50 anos de existência. “Vivam a conversão a Jesus”, “partilhem com todos na Igreja a graça do batismo no Espírito Santo “, “fujam das brigas internas”, “Saiam pelas estradas evangelizando” e“aproximai-vos dos pobres e toquem nas carnes deles a carne ferida de Cristo”, pediu Sua Santidade.
Após a mensagem do Papa os membros do encontro impuseram as mãos sobre o Papa Francisco, cantaram um hino ao Espírito Santo, oraram por ele de forma espontânea e em línguas. Ao final, Francisco os convidou para celebrar noPentecostes de 2017 os 50 anos de existência da RCC.
Os Papas e a RCC
“Vida longa aos carismáticos”, disse o Papa São João Paulo II no encontro com líderes do movimento em 1985.
A chamada “oração em línguas” é uma característica da espiritualidade da Renovação Carismática Católica (RCC) , dom citado em I cor, 14, entre outras passagens bíblicas, que consiste na emissão de sílabas dissociadas, ditas em oração. A reza parece elevar a alma do fiel ou simplesmente abrir seu coração e sua mente para uma oração mais profunda. É considerado o menor dos dons, a porta de entrada para os demais.
As Novas Comunidades que surgiram a partir da espiritualidade da RCC também cultivam este singelo modo de rezar, sempre feito em ambiente comum, evitando os locais onde a prática não é comum, a fim de se evitar interpretações equivocadas.
O documentário “A Renovação Carismática e os Papas” registra o momento em que um grupo desta espiritualidade se encontra com o Papa João Paulo II nos Jardins do Vaticano. O Papa os acolhe, eles cantam, se confraternizam, rezam e oram em línguas. João Paulo II companha o ato em clima de oração, de olhos fechados. O documentário ainda traz imagens do encontro histórico entre o Papa Paulo VI e membros do movimento na Basílica de São Pedro.
A experiência da oração em línguas também é relatada por Patty Mansfield, umas primeiras a receber a efusão do Espírito Santo no famoso final de semana de Duquesne, no final da década de 60, nos Estados Unidos. O relato completo pode ser lido no livro “Como um Novo Pentecostes“.
Conheça o testemunho de Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap, pregador da Casa Pontifícia
Os sinais do Pentecostes
Frei Raniero Cantalamessa OFM Capuchinho
Agora vou lhes contar sobre a vida nova que o Espírito Santo me deu.
Frei Raniero Cantalamessa:
Até 1975, eu era um frade capuchinho que ensinava História das Origens Cristãs na Universidade de Milão, na Itália. Um dia, comecei a escutar pessoas que falavam de uma nova forma de rezar. Uma senhora, de quem eu era diretor espiritual, voltando de um retiro disse-me: “Encontrei pessoas que rezam de um modo estranho: levantam as mãos, batem palmas, são muito alegres e dizem que entre eles milagres acontecem”. Então eu lhe disse: “Nunca mais irás a essa casa de retiros”.
Esses dos quais aquela senhora falava eram carismáticos. Comecei a observá-los e via que algo daquilo que acontecia entre esses irmãos era exatamente aquilo que lemos nas primeiras comunidades cristãs.
Eu não podia negar que havia algo daqueles primórdios da Igreja, contudo havia fenômenos que me perturbavam, como falar em línguas, abraçar-se, profetizar…
Certo dia, fui quase forçado a um encontro carismático. Lá fui tomado de uma intensa e nova alegria, que não sabia explicar. Sentia-me sacudido. E, confessando as pessoas, percebia nelas um arrependimento novo, profundo. Eu podia ver e até tocar a graça de Deus. Mas continuava como um observador.
Em 1977, ganhei uma passagem para ir aos Estados Unidos, assistir à grande assembléia carismática ecumênica. Dentro de mim, dizia: “Isto vem de Deus, mas não me agrada”. E as 40 mil pessoas presentes ali cantavam: “Jericó deve cair”. Os meus colegas italianos me diziam: “Escuta bem, porque Jericó és tu”. Eles tinham razão, e Jericó caiu.
“O Santo Padre também sabe de minha experiência, pois lhe contei pessoalmente”.
Depois do encontro fomos a uma comunidade carismática em New Jersey, onde aceitei receber a efusão do Espírito Santo, mas ainda com certa resistência. Um dos sinais do Pentecostes é Deus falar através dos humildes. Quando as pessoas rezavam por mim, todas as palavras proféticas pronunciadas falavam de evangelização, de Paulo que com Barnabé inicia suas viagens apostólicas, e um irmão proclamou: “Tu provarás de uma alegria nova em proclamar minha Palavra”.
Um detalhe importante é que enquanto se reza para que alguém receba a efusão do Espírito, se diz: “Escolhe Jesus como Senhor da tua vida” e, enquanto me diziam estas palavras, levantei os olhos e vi o crucifixo que estava sobre o altar da capela. Era como se Ele me esperasse para me dizer algo muito importante: “Atenção! Raniero, cuidado! Este é o Jesus que tu escolhes como teu Senhor, o Crucificado. Não é um Jesus fácil, sentimental”. Nesse momento, entendi que a RCC não é um fenômeno superficial, mas algo que nos leva diretamente ao coração do Evangelho, à cruz de Cristo.
Comecei a ler o breviário experimentando algo novo. Vocês sabem que um dos frutos mais evidentes do Espírito é abrir a nossa inteligência para entender as Escrituras. Outro sinal da transformação que o Espírito operara em mim era o novo desejo de rezar.
Três meses depois voltei à Itália e os meus irmãos diziam: “Que milagre! Mandamos à América Saulo e nos mandaram de volta Paulo”.Pouco tempo depois, enquanto rezava com um grupo de oração em Milão, surpreendi-me fazendo a oração: “Senhor, não permita que eu morra como um professor universitário aposentado!” E o Senhor levou a sério minha oração.
Algumas semanas depois, rezando na cela de meu convento, tive a moção interior de visualizar Jesus que retornava do batismo no Jordão e começava a pregar o Reino de Deus, e ao passar por mim Ele dizia: “Se queres me ajudar a proclamar o Reino de Deus, deixa tudo e vem!” Compreendi que Ele queria dizer: “Deixa tua cátedra na Universidade, tua direção de Departamento e te tornes um pregador itinerante da Palavra de Deus, no estilo de São Francisco de Assis”. E ao final daquela oração o Espírito havia colocado em meu coração um “sim”.
Pregador do Papa (à esq.),Raniero Cantalamessa rezando com fundadores da Comunidade Católica Shalom, em Roma.
Fui ao meu superior geral dizer-lhe que me sentia chamado pelo Senhor. Ele me pediu para esperar um ano. Depois de um ano, ele disse: “Sim, é vontade de Deus, vá”. Assim, tornei-me pregador. Foi o Espírito Santo e a experiência carismática que fizeram deste velho professor universitário um pregador do Evangelho.
A Casa Pontifícia
Três meses depois, recebi um telefonema de Roma, do meu superior geral que me dizia que o Santo Padre, João Paulo II, havia me escolhido como pregador da Casa Pontifícia. O Papa, com tudo o que tem para fazer, cada sexta-feira de manhã, durante a Quaresma e o Advento, deixa tudo e vem escutar a pregação de um frade capuchinho. Quantos de nós vão escutar pregações como o Papa? Ele não falta nunca. Certa vez, estando em viagem pela América Central, faltou a duas pregações; na sexta-feira seguinte, foi ao meu encontro e pediu desculpas por ter faltado a duas pregações.
Foi-me dada a oportunidade de fazer ressoar ali, no centro da Igreja, o que o Espírito Santo está fazendo na Igreja. O Senhor escolheu esse pobre frade capuchinho para fazer chegar ao coração da Igreja aquilo que vivemos aqui, esta força, esta esperança, esta certeza de que o Espírito Santo realizou um novo Pentecostes na Igreja.
Um dia, entendi que era hora de falar ao Papa, aos Cardeais, aos Bispos sobre a efusão no Espírito. Entre outras coisas, eu disse: “Alguns dizem que tendo recebido o Espírito Santo na Ordenação, no Batismo, não temos necessidade desta oração pedindo a efusão no Espírito, mas Jesus não poderia responder: “Eu também não estava cheio do Espírito desde o nascimento de Maria, e mesmo assim fui ao Jordão para ser batizado por um leigo que se chamava João Batista?”
No final da pregação, eu tinha um certo temor e veio ao meu encontro um Cardeal que me disse: “Hoje, nesta sala, ouvimos falar o Espírito Santo”.O Santo Padre também sabe de minha experiência, pois lhe contei pessoalmente. Mesmo assim, já faz mais de 20 anos, e ele não me mandou embora. E aquilo que vocês encontram nos meus livros, quase tudo foi escutado antes pelo Papa.
Frei Raniero pregando para o Papa Bento XVI
Quero lhes contar um último detalhe que nos faz conhecer a grande paciência do Santo Padre e o seu imenso amor pela palavra de Deus. Uma vez por ano devo fazer a pregação, na Basílica de São Pedro, com o Papa que preside a celebração. É porém a única vez que não é ele quem prega. Lida a narração da Paixão, é o pregador da Casa Pontifícia quem deve subir ao altar do Papa e pregar. Na primeira vez, os degraus me pareciam mais altos que o monte Evereste. Falando na Basílica, dei-me conta de que deveria falar muito lentamente, porque há uma grande ressonância. Mas, falando lentamente, o tempo passava e ultrapassou em cerca de dez minutos o tempo previsto. Vocês sabem que imediatamente após essa pregação, toda sexta-feira da Paixão, o Papa vai ao Coliseu fazer a via-sacra, e o secretário, naturalmente, estava muito nervoso e olhava o relógio de vez em quando. No dia seguinte, disse às freiras que depois daquela função, o Papa o chamou e, com muita gentileza, disse: “Quando um homem de Deus fala, nunca devemos olhar o relógio”.
Coragem, e ao trabalho!
No dia em que meu superior me permitiu iniciar essa vida nova, no ofício das leituras havia um texto do profeta Ageu: “Coragem, Josué, sumo sacerdote, coragem Zorobabel, coragem todo o povo deste país, e ao trabalho. Coragem porque eu estou convosco, diz o Senhor” (Ag 2,4).
Lida essa passagem, fui à Praça de São Pedro e, olhando para a janela do Papa, comecei a gritar: “Coragem João Paulo II, mesmo se sabemos que és o homem mais corajoso do mundo; coragem Cardeais e Bispos, e ao trabalho, porque eu estou convosco, diz o Senhor”. Isso era fácil, pois não tinha ninguém lá, mas três meses depois eu me encontrava diante do Santo Padre e dos Cardeais e Bispos, e proclamei novamente aquela palavra de Ageu.
Hoje, anuncio estas palavras também a vocês: coragem, povo de Deus, e ao trabalho, à evangelização, à renovação da Igreja, porque eu estou convosco, diz o Senhor!
A Irmã Mary Kenneth Keller foi a primeira mulher de nacionalidade norte-americana a ter um doutorado em Ciências da Computação, consentido em 1965 na Universidade de Wisconsin-Madison. A sua tese tinha como título “Inferência indutiva dos modelos gerados pelo computador”.
A religiosa fez os votos como Irmã da Caridade em 1940, fazendo em seguida um bacharelado em Matemática e outro em Matemática e Física na Universidade DePaul. Estudou também na Dartmouth College, trabalhando no centro de ciências de computação no Instituto – mesmo na época sendo reservado aos homens -, onde ajudou a desenvolver a linguagem BASIC.
A religiosa, que escreveu quatro livros sobre a ciência da computação, acreditava no potencial do computador para aumentar o acesso a informação e promover a instrução.
Em 1965, depois de ter conseguido o seu doutorado, fundou o departamento de ciências da computação no Clarke College de Dubuque (Iowa), permanecendo ali por vinte anos. O Clarke College tem agora o Keller Computer Center and Information Services, intitulado à Irmã e que fornece apoio em computação e telecomunicação aos estudantes da faculdade, aos membros da faculdade e ao staff. A faculdade instituiu também a Mary Kenneth Keller Computer Science Scholarship, uma bolsa de estudo em sua homenagem.
Sabe-se muito pouco da vida da Irmã Mary Kenneth Keller antes de sua experiência universitária. Não é certo nem mesmo o ano de seu nascimento, que deveria ter ocorrido em meados de 1914 em Ohio. A religiosa morreu em 1985. Ingressou nas Irmãs da Caridade em 1932 e professou os votos oito anos depois.
O Dartmouth College mudou as regras que baniam as mulheres do seu centro de computação, permitindo-lhes ajudar e desenvolver a linguagem BASIC. Antes disso apenas matemáticos e cientistas podiam escrever o custom software. O BASIC deixou o uso do computador acessível a uma faixa muito mais ampla da população.
A Irmã Mary Keller queria fornecer o acesso à informática a qualquer um, não somente aos estudiosos de computador, e sonhava com um mundo no qual os computadores tornariam as pessoas mais inteligentes, ajudando-as também a pensar por si.
Pela primeira vez”, afirmou em uma entrevista “agora podemos simular mecanicamente o processo cognitivo. Podemos completar estudos em inteligência artificial. Além disso, este mecanismo [o computador] pode ser usado para auxiliar as pessoas no aprendizado. Visto que com o tempo teremos alunos mais maduros e em qualidade superior, este tipo de ensinamento será provavelmente sempre mais importante”.